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28 de Junho de 2022

Estão enganando os profissionais jurídicos!

Marcílio Guedes Drummond, Advogado
há 2 anos

Muito provavelmente o título deste artigo chamou a sua atenção, afinal, não quer ser um dos profissionais jurídicos enganados, não é mesmo?

Eu sempre digo que em tempos digitais não podemos pensar e nos guiar por paradigmas analógicos....mas o que exatamente seria isso?⠀

Veja que a Era Analógica era pautada pela escassez, com poucas informações, escolhas limitadas e consumo isolado (não sabíamos o contexto geral da satisfação dos clientes, a indicação de um produto ou prestador de serviços vinha de alguém próximo ou da coragem de experimentar).

Nessa época, o conhecimento jurídico era difícil, caro e muito empoderado. Ser "doutor" tinha algum significado, peso e prestígio. Havia um tempo maior para a prestação dos serviços - o mundo tinha um ritmo menor -, uma grande desigualdade de poder entre o cliente e o profissional jurídico - claro, o cliente tinha medo daquela figura distante e intocável, o tal do "doutor" - e a competição mercadológica era principalmente local (se é que se pensava em "mercado", já que a advocacia era um "sacerdócio", na qual você simplesmente ficava esperando sentado, em seu escritório, as pessoas procurarem os iluminados "doutores").

Na Era digital tudo isso mudou - o mundo mudou, os valores mudaram, os clientes também -, porém, muitos profissionais jurídicos continuam pensando de forma analógica..."empoderados doutores" cuja remuneração não corresponde mais ou ilusório prestígio de um profissional jurídico. Eu não sei você, mas já ouvi frases como "ah, ganho cerca de R$1.500,00...R$2.000,00 por mês, mas sou chamado de Doutor e me sinto com um status a mais". Isso não é brincadeira, mas é cômico tanto quanto se fosse...

Na Era digital o conhecimento jurídico por si só possui cada vez menos valor (é o que chamamos de commoditização do conhecimento jurídico)...o cliente está a uma simples busca na internet de sanar diversas das suas dúvidas jurídicas!

Então, o profissional jurídico não é mais o único detentor do conhecimento jurídico...e digo inclusive que não faz mais sentido ser chamado de "doutor", porque, repito, ele não é mais a fonte única de um conhecimento outrora raro e importante.

Hoje o cliente pode resolver seus problemas pela internet, seja por escritórios digitais, ou pelas startups do direito (Lawtechs), em um consumo totalmente conectado, no qual, por meio das avaliações de qualidade de outros consumidores é possível escolher o prestador de serviço que oferece não só a solução para o seu problema, mas a melhor experiência completa, com respostas aceleradas, envolventes e, até mesmo "gostosas"! ⠀

Na Era Digital o seu concorrente pode estar em qualquer lugar do Brasil, em qualquer lugar do mundo! ⠀

Por que então os profissionais do direito permanecem repletos de dificuldades para abandonarem os paradigmas analógicos? A explicação mais plausível é: o modelo mental tradicional continua sendo "instalado" e replicado pelas faculdades de direito, formando profissionais totalmente desconectados da realidade!

Se você é uma pessoa que se sentiu ofendida com o que eu disse até agora, pode parar aqui de ler este texto, principalmente se os seus serviços jurídicos foram criados como base em Design de Serviços, se você já aplica Visual Law em seus documentos, se já mapeou toda a jornada dos seus clientes (antes, durante e depois de te procurarem), se já aplica - e recicla - em seus serviços/produtos conceitos fundamentais de User Experience (U.X), se já escolheu e aplica KPIs (Key Performance Indicator = indicador-chave de Desempenho) para medir a performance e viabilidade de suas atividades, se já tem uma área de "Sucesso do cliente", se já usa técnicas de inbound/outbound marketing, se conhece toda a lógica dos negócios exponenciais/startups, se já automatizou todas as atividades repetitivas da sua rotina, se já entendeu que errar é muito importante (e uma das principais estratégias de Growth Hacker - sabe o que é isso?), se já implementou metodologias ágeis à sua rotina de trabalho, se conhece e fomenta os seus ativos digitais, se conhece suas principais soft skills (habilidades comportamentais)...eu vou parar por aqui, mas poderia enumerar mais uma série de questões de um negócio que se pauta na Era Digital - sim, não se esqueça que o seu escritório é um negócio!).

Se você decidiu por continuar a ler este texto, não posso deixar de citar minha própria frase:

"O sucesso no direito está fora do direito" - Marcílio Guedes Drummond.

Por que eu digo isso? Porque eu já disse que o direito virou uma commodity, ou seja, possui pouco valor no imaginário do cliente e sim, isso importa muito, porque é ele quem te paga e o que ele pensa é mais importante do que você pensa -.

Na Era digital, estamos falando de um outro estilo de cliente.

A capacidade de influência das marcas usando métodos tradicionais são cada vez menos eficazes, em um mundo onde 2/3 da tomada de decisão em uma compra/contratação, são protagonizadas pelo consumidor - e pela conexão entre eles -. Esses métodos tradicionais nos quais você deve repensar incluem imóveis imponentes e "luxuosos" de escritórios de advocacia, veículos luxuosos por simples status, roupas de trabalho caras para impressionar os clientes...Isso é da Era Analógica! É da era de que ser "doutor" fazia jus ao nome e ao status que trazia.

Esse novo estilo de cliente define suas preferências não só pelo preço e conveniência, mas também pelo CONJUNTO DE EXPERIÊNCIAS que tem com a marca, seus produtos e serviços - sim, o luxo pode ser um dos componentes dessa experiência, mas você deve ser capaz de medir exatamente qual é o ROI (Retorno de Investimento) do seus caros imóveis, carros e vestimentas -. ⠀

Então, você precisa dar muita atenção à todos os pontos de contato da EXPERIÊNCIA DOS SEUS CLIENTES com os seus serviços, com as sua marca. Por exemplo: se você é advogado (a) não basta mais se preocupar apenas com os prazos processuais, a jurisprudência e o conhecimento jurídico caso queira se atentar verdadeiramente com a experiência dos seus clientes. Sua comunicação é simples, ágil e constante (semanalmente)? Seus documentos são simples, bonitos e criados para fornecer a melhor experiência aos clientes? Você conhece todas as habilidades e fraquezas de colaboradores e parceiros? Tem uma forte presença digital nas redes sociais?....há muitos elementos próprios da Era Digital que não são meros "bônus", mas fazem parte do sucesso de qualquer negócio nessa Era.

É bom também que você entenda, que na Era Digital estamos na Nova Economia.

Entender isso é muito importante, porque os profissionais jurídicos, baseados nos padrões analógicos, tendem a ser centralizadores, pouco tolerantes ao erro (sim, errar é muito importante, se pretende construir algo que a maioria não fez) e pouco transparentes. Essas características sem encaixam na Velha Economia, mas não na Nova Economia.

Inclusive, preciso falar mais sobre o erro em si. Ele é a oportunidade de experimentarmos, no mundo real, e não é só um plano no papel, que não sabemos como se comporta. Se você entender isso, será possível a identificação de problemas, acertos e oportunidades, além da necessidade de um movimento rápido de correção e ajustes, se necessário.

Isso é importante porque traz a possibilidade de inovação e também evidencia oportunidades que não estavam mapeadas, a princípio, e que nem sempre estão ligadas a uma prática inovadora, mas são tão importantes quanto.

É preciso permitir-se errar, mas com a visão de avaliar, concluir, corrigir a rota e identificar oportunidades. Se você acha caro errar, experimente não inovar...experimente continuar a guiar sua prestação jurídica por paradigmas analógicos!

Você deve estar se questionando: qual a relação de tudo isso com o título deste texto?

A resposta é: todo o problema se resume à formação tradicional dos profissionais jurídicos! Se nos dias atuais você acha relevante ser "doutor (a)", está sendo enganado (a)! Se não é transparente e ágil, está sendo enganado (a)! Se não se guia por dados e métricas, está sendo engando (a! Se não pensa em toda a jornada do cliente e em todos os aspectos da experiência dele com seus serviços/produtos, está sendo enganado (a)! Se vive nos paradigmas analógicos, da velha economia, do medo de errar, do "juridiquês" (pior ainda o latim!)...está sendo enganado (a)!

O engano está em se basear em um modelo de advocacia, de direito e de mundo analógicos, em plena Era Digital!...hoje você veria um filme por uma fita cassete, ou pelo Netflix/Amazon Prime/Globo Play/Youtube?...hoje você compra um "nokia tijolão" ou um smartphone? Por que então um cliente deve ser obrigado a contratar um profissional jurídico analógico na Era Digital?

Por fim, se você foi um dos que possivelmente não gostaram deste texto - E DE SUAS PROPOSITAIS PROVOCAÇÕES -, saiba que não estou aqui para ser amado, mas para não ser omisso diante de diversos colegas profissionais do direito perdidos em meio aos novos tempos digitais.


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Fonte: LinkedIn

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14 Comentários

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Nobres colegas, trata-se de um texto obtuso para não dizer presunçoso, contudo, supérfluo. Na verdade analógico consiste em semelhança entre coisas ou ações distintas, cujas palavras estão dispostas pela semelhanças de seus sentidos. Dito Isto. Pois, bem. A tecnologia é importante, não há como deixar de reconhecer, mas causa um mal terrível ao ser humano qual seja, a falta de personalidade própria, situação que se tornou corriqueira nos dias de hoje e o mais grave, perda da capacidade interpretativa, principalmente de textos e do raciocino lógico. O profissional que se tornar escravo da tecnologia, no futuro próximo se tornará incapacitado. Imagine se ocorrer um bug geral, os escravos da tecnologia vão passar por agruras de toda espécie. Continuo e continuarei sopesando meu trabalho entre o digital e o analógico e não abro mão do meu titulo de Doutor conquistado a duras penas. O direito nunca deixara de ser metódico e interpretativo. Não se deve olvidar, conhecer leis e procedimentos jurídicos cabe a qualquer um, interpretar leis, normas e aplicá-las ao caso concreto, cabe aos Doutores, sem mencionar o jus postulandi. continuar lendo

Esse texto do autor parece mais com marketing promocional do que opinião de um profissional. continuar lendo

Eu concordei, mas se me permite, retorno vossa pergunta: Quando foi ao médico pela última vez, por que não pesquisou na Internet e se auto medicou? Tem de tudo na internet, inclusive a "solução" para a doença a que estiver acometido. Gostei de suas provocações, mas não vejo somente dois polos (analógico e digital). Vejo uma infinidade de maneiras de se levar QUALQUER profissão neste mundo assimétrico. Assim, mesmo concordando com o que falou, você jogaria a solução de um problema jurídico a uma "calça caindo e mostrando a cueca" ou a um jovem advogado vestido como uma pessoa séria. De qualquer forma, além disso ainda temos a necessidade do "jus postulandi". É só para podermos pensar nisso também. Um grande abraço e parabéns. continuar lendo

Desde já, informo que não sou um operador do Direito, não é a minha área precípua. Por isto, falo como cliente e também como observador destas novas tendências, uma vez que na minha área de trabalho percebo este "movimento" de colocar o "mundo digital" como algo altamente inovador e "revolucionário" (ou o termo da moda: disruptivo)

Dito isto, com a máxima vênia ao autor do texto, mas a posição colocada está eivada de uma dicotomia e um solipsismo muito grandes. Neste sentido, concordo com o comentário do Marcos Aurélio Fahur,a chamada para usar os instrumentos digitais é válida. Entretanto, desconsidera alguns problemas que cito a seguir:

1. Não considera as possíveis desvantagens para os operadores do Direito e os clientes destes mesmos instrumentos digitais no "mundo digital".

2. Não sei se foi a intenção do autor, mas o texto tende a hiperbóle. O "mundo digital" é um mundo novo, então começemos do "zero", o antes não vale mais nada. Decerto, um exagero.

3. O uso de termos em inglês que se referem a determinados métodos administrativos soa como uma espécie de propaganda para a compra de produtos ou serviços. Inclusive soa como algo do tipo: "Tudo antes destes produtos e serviços não vale mais nada, a solução que eu proponho é a única possível".

4. Existem diversos tipos de clientes, logo o atendimento é realizado conforme os vários tipos de clientes, sejam eles "analógicos", "digitalizados", "com conhecimento jurídico", "sem conhecimento jurídico", "com consulta na internet", "sem consulta na internet" etc.

Em suma, os instrumentos digitais são interessantes para o relacionamento cliente-advogado. Porém, não vejo elementos que possam nos forçar a dizer que adentramos em um admirável mundo novo. continuar lendo

Elogiei o texto e mantenho o elogio, mas a profundidade de sua análise, me faz adotar sua ótica, mais serena e mais sábia. Esta é a grande qualidade do diálogo, da dialética: a análise do outro lado, da outra visão, como oportunidade de conhecimento, para reflexão. continuar lendo

ao cliente que me chega "sabendo tudo" com o "parecer" do dr. google, digo que passe procuração para o mesmo representá-lo... continuar lendo